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É possível evitar mais de 40% dos casos de câncer, diz estudo

Cerca de 45% dos casos de câncer em homens e 40% dos registrados em mulheres no Reino Unido são causados pelo estilo de vida e podem ser prevenidos, diz um estudo publicado nesta terça-feira na revista médica The British Journal of Cancer.

A pesquisa, a mais extensa elaborada até hoje no Reino Unido, chegou à conclusão que mais de 100 mil dos cânceres diagnosticados a cada ano neste país são causados por quatro fatores relacionados com o estilo de vida: tabaco, má alimentação, álcool e sobrepeso.

Segundo o estudo, realizado pela associação britânica Cancer Research UK e que levou em conta 14 fatores ambientais e de estilo de vida, o tabaco é o elemento mais determinante para o desenvolvimento de um câncer.

O tabaco é responsável por 23% dos casos de câncer em homens e por 15,6% das ocorrências em mulheres, sendo que os tipos mais frequentes são, além do de pulmão, o de bexiga, rim, pâncreas e colo do útero. (mais…)


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O Desenvolvimento da Ciência no Brasil

Embora a educação no Brasil não seja das melhores, com muita dificuldade, a ciência no país vem se desenvolvendo.

Nos primeiros séculos do país, o governo se dedicava um pouco mais na educação, porém a maioria do povo era analfabeto, e somente os que eram de uma classe social mais alta é que tinham acesso a educação primária, secundária e terciária.

A primeira obra científica feita no Brasil foi publicada em 1648, de autoria de Guilherme Piso e George Marcgraf, contendo observações interessantes sobre a medicina, a Flora e a Fauna.

Os estudos científicos no país, principalmente no aspecto prático, foram maiores com a criação de vários institutos de pesquisa, dos quais os principais são: Instituto Bacteriológico, fundado em São Paulo, em 1892, Policlínica do Rio de Janeiro, em 1889, fundada por um grupo de médicos, laboratório de Higiene, da faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, fundado em 1882, o Instituto de Manguinhos (hoje Osvaldo Cruz), criado no Rio de Janeiro em 1901, o Museu Paulista, fundado em 1893, cujo primeiro diretor foi um zoólogo alemão e o Instituto Biológico de São Paulo, criado em 1928.

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Banco biológico

O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) deu início hoje às obras do Centro Brasileiro de Material Biológico (CBMB), no Campus de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O grande objetivo do banco biológico será armazenar microrganismos (bactérias, fungos filamentosos e leveduras), além de células animais, para orientar a indústria farmacêutica na fabricação de remédios e ajudar nas pesquisas científicas.

Orçado em R$ 11,5 milhões, o banco deverá receber também coleções de referência de outras instituições do país e estrangeiras.

“Para ninguém [pesquisadores] querer reinventar a roda, é importante um complexo com esse material disponível. Um lugar confiável e seguro no qual é sabido que o material não será desencaminhado. É uma infraestrutura para todo o desenvolvimento biotecnológico brasileiro”, disse o presidente do Inmetro, João Jornada.

Patentes de microrganismos

Em parceria com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), o complexo também servirá para armazenar patentes de microrganismos produzidos no país, facilitando o registro de propriedade, poupando tempo e dinheiro dos pesquisadores.

Atualmente, o armazenamento de amostras desses microrganismos para registro de patente é feito fora do país, geralmente em bancos na Alemanha ou nos Estados Unidos. Com a criação do depósito do Inmetro, também será possível guardar material para backup, destacou Jornada.

“Toda vez que se desenvolve algum tipo de microrganismo, esse material pode dar origem a patente. Até hoje, ele era depositado em instituições fora do Brasil, enfrentando uma série de complicações alfandegárias e de segurança”, afirmou o presidente do Inpi, Jorge Ávila.

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Panorama da ciência no Brasil e no mundo

Por Fábio de Castro, de Brasília

Agência FAPESP – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou nesta quarta-feira (10/11), em Brasília e em Paris, simultaneamente, o Relatório Unesco sobre Ciência 2010. A data corresponde ao Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento.

O documento é editado a cada cinco anos para apresentar um diagnóstico do desenvolvimento mundial da ciência. No Brasil, o lançamento ocorreu em audiência pública no Senado Federal, em evento proposto pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que preside a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado e ressaltou o fato de o estudo dar destaque ao Brasil.

O país foi o único da América do Sul a ser contemplado com um capítulo exclusivo, de autoria de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Hernan Chaimovich, coordenador dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP e professor da Universidade de São Paulo (USP).

Além de Brito Cruz e de Ribeiro, participaram da audiência Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil, Jailson Bittencourt de Andrade, representando a Academia Brasileira de Ciência (ABC), e Roosevelt Tomé Filho, secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social.

De acordo com Defourny, o relatório apresenta análises extensas sobre a evolução da ciência e tecnologia por regiões no mundo e destaca alguns países que apresentam características de evolução de políticas ou de investimentos que podem se tornar exemplares no contexto global.

“O relatório mostra que, ao lado da clássica tríade que sempre se destaca na ciência e tecnologia – Estados Unidos, Japão e União Europeia –, há a crescente importância de países emergentes como a Coreia do Sul, a India e a China. E também o Brasil, que aparece ainda de forma modesta, mas com um papel que lhe permite crescer e avançar”, disse Defourny à Agência FAPESP.

Segundo ele, no caso do Brasil, os números indicam grande evolução recente no setor, mas uma relativa estagnação nos últimos anos. “O país desenvolveu uma base acadêmica competitiva em ciências, mas há ainda uma série de desafios. A taxa de crescimento no número de doutores, por exemplo, foi de 15% ao ano por muito tempo. Nos últimos três anos, o crescimento continuou, mas foi de apenas 5% por ano. É um sinal de estagnação. Será uma tarefa do novo governo federal olhar para esses dados de forma muito detalhada”, afirmou.

Um dos problemas diagnosticados pelo relatório no país é a falta de investimento no setor por parte do governo e, especialmente, das empresas privadas. “A pesquisa e desenvolvimento na indústria precisa receber uma atenção maior até mesmo do que a pesquisa acadêmica”, disse.

O relatório indica que o investimento em ciência no Brasil deriva principalmente do setor público: 55%. O país está abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na relação entre o investimento bruto em pesquisa e desenvolvimento (GERD, em inglês) e o produto interno bruto (PIB) do país.

Para alcançar a média da OCDE de financiamento público à pesquisa e desenvolvimento (P&D), o Brasil precisaria investir um adicional de R$ 3,3 bilhões ao ano, montante que corresponde a três vezes o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Nos gastos empresariais com P&D, a média dos países membros da OCDE é o triplo da encontrada no Brasil. Para igualar esse patamar, seria preciso aumentar os gastos privados no setor de US$ 9,95 bilhões ao ano para US$ 33 bilhões.

O desafio, de acordo com o capítulo produzido por Brito Cruz e Chaimovich, pede instrumentos de políticas públicas muito mais efetivos que os empregados até agora pelo Estado Brasileiro. Segundo Brito Cruz, além de reiterar a grande desigualdade regional na produção de ciências no Brasil, o relatório destacou a necessidade de uma melhor articulação entre as iniciativas federais e estaduais.

“Uma articulação entre políticas federais e estaduais não se resume a transferir recursos da União para os estados. É essencial, por exemplo, que os estados participem diretamente da produção de indicadores de ciência e tecnologia. Precisamos de uma política nacional de ciência, tecnologia e inovação, e não de uma política federal desconectada dos estados”, disse à Agência FAPESP.

O relatório da Unesco revela um mapa no qual é possível comparar, periodicamente, o desempenho das várias regiões do mundo em ciência e tecnologia e avaliar suas políticas. Trata-se de um exemplo de como o Brasil deveria mapear o desempenho em suas regiões, de acordo com Brito Cruz.

“São Paulo tem feito isso, mas não temos os dados do Brasil para diagnosticar o que ocorre nos vários estados, para fazer comparações e para pensar em soluções integradas. Sem isso, fazemos um voo cego. A Unesco está dando um ótimo exemplo”, disse.

Menos cientistas em empresas

Entre as principais preocupações manifestadas por Brito Cruz em relação aos diagnósticos incluídos no relatório está o fato de a mais recente Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ter mostrado que o número de pesquisadores que trabalham em empresas no Brasil diminuiu entre 2005 e 2008.

“Isso é algo que deve nos preocupar muito, porque toda a estratégia e as políticas são feitas para levar mais pesquisadores para a empresa e esse número nem sequer ficou constante: diminuiu em 10% no período. É um problema que precisa ser bem entendido. Precisamos ter esses indicadores com frequência para podermos realimentar as políticas públicas”, destacou. O número de pesquisadores em empresas era de 35 mil em 2000, passou a 40 mil em 2003, 50 mil em 2005 e caiu para 45 mil em 2008.

Para Brito Cruz, houve evoluções importantes no setor no Brasil, mas não basta observar que os indicadores de resultados estão crescendo. “É preciso saber se estão crescendo em relação ao resto do mundo, com quem o país compete”, afirmou.

“A Coreia do Sul edita esse tipo de dados a cada três meses. No Brasil, depois de três anos descobrimos que há menos pesquisadores em empresas. Com tantas políticas, como isso está acontecendo? É preciso entender. Foi identificado o problema e pode haver uma explicação, mas não sabemos qual é. Trata-se de um alerta para nos perguntarmos que resultados essas políticas estão trazendo”, disse.

Outra preocupação, segundo Brito Cruz, é que, apesar da necessidade de formar mais recursos humanos, nas universidades federais o número de concluintes deixou de crescer desde 2004.

“Em 2008 houve menos concluintes do que em 2004. As federais têm uma importante qualidade acadêmica no Brasil, ainda que com heterogeneidade. Precisamos recuperar o crescimento desse sistema”, disse.


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Nanotecnologia para transporte eficaz de medicamentos

14/10/2010

Por Fabio Reynol

Agência FAPESP – Uma nova geração de sistemas nanométricos capazes de levar medicamentos até o local do organismo no qual devem agir foi desenvolvida em um trabalho conjunto feito entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

O trabalho gerou um depósito de patente feito com apoio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual da FAPESP e foi apresentado na 2nd Conference Innovation in Drug Delivery, em Aix-en-Provence, na França, na semana passada.

“Trata-se de um nanocarreador capaz de levar drogas hidrofílicas (solúveis em água), o que é inédito”, disse o professor Antonio Cláudio Tedesco, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, à Agência FAPESP.

Ele conta que os nanocarreadores já desenvolvidos só obtiveram sucesso ao transportar substâncias hidrofóbicas, as quais não se dissolvem na água, o que limitava o campo de aplicação.

Tedesco é coordenador de um Projeto Temático FAPESP voltado ao desenvolvimento de nanocarreadores de fármacos aplicados à saúde (câncer, doenças degenerativas do sistema nervoso central, entre outros). O produto desenvolvido em parceria com o IPT surgiu do projeto de doutorado em desenvolvimento da bioquímica-farmacêutica Natália Neto Pereira Cerize, orientanda de Tedesco.

Natália tinha Bolsa de Doutorado Direto da FAPESP até o início de 2010, quando passou em um concurso para pesquisadora do Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas (LPP) do IPT. A pesquisa desenvolvida desde o início na USP em parceria com o instituto contou sempre com a coorientação da pesquisadora Maria Inês Ré, do LPP.

“Tivemos a preocupação de utilizar substâncias biocompatíveis, de modo que não apresentem problemas em uma futura aplicação em humanos”, afirmou Natália.

Ela também salientou a versatilidade do produto, que poderá ser empregado em diferentes partes do organismo, como pele e mucosas. “Por esse motivo, patenteamos o processo de fabricação do nanocarreador e não de um medicamento ou de uma aplicação específica”, explicou.

Diferentemente dos medicamentos convencionais, que precisam ser administrados em doses maiores a fim de que uma parte deles chegue ao local desejado, os nanocarreadores podem levar quantidades bem menores do princípio ativo.

Além de gerar economia de fármacos, essa característica reduz os efeitos colaterais causados pelas drogas. Isso ocorre porque as nanopartículas são projetadas para apresentar seletividade para um determinado alvo biológico.

Outra vantagem é que as partículas nanométricas executam uma liberação controlada do medicamento. Essa ação evita os picos de dosagem que ocorrem com os remédios convencionais. Ao serem liberados continuamente, os princípios ativos mantêm níveis constantes no organismo.

Escala industrial

O novo nanocarreador começou a ser aplicado em testes laboratoriais no tratamento de câncer de pele. A ideia é que uma solução tópica aplicada sobre a pele atinja as células tumorais. O estímulo para a ação do medicamento é dado pela exposição à luz, na chamada terapia fotodinâmica.

Ao serem expostas à luz, as substâncias utilizadas no medicamento dão início a um processo complexo que resulta na liberação de radicais livres, que funcionariam como disparadores da apoptose (morte celular programada) das células doentes.

“A célula neoplásica não dispara a apoptose. É como se ela se esquecesse de morrer e assim se reproduz indefinidamente. Ao receber um choque de radicais livres disparados por um flash de luz, a célula reativa o sistema de apoptose”, explicou Tedesco.

Natália ressalta que outra preocupação da equipe foi produzir um nanocarreador que pudesse ser fabricado em larga escala e com os equipamentos já existentes na indústria farmacêutica. “Há muita pesquisa que gera produtos eficazes, mas que são comercialmente inviáveis, pois apresentam incompatibilidade com a tecnologia farmacêutica atual”, pontuou.

No entanto, apesar de apresentar grande potencial, a tecnologia patenteada ainda terá de percorrer um longo caminho antes de ser disponibilizada nas farmácias, ressaltam os pesquisadores.

O grupo acaba de iniciar a etapa laboratorial dos testes e ainda virão as fases in vitro, in vivo em animais e, finalmente, testes clínicos, com muitos ativos de interesse.

“Trata-se de um produto inovador e promissor, com perspectivas de aplicação, mas que ainda precisa de muitos estudos para que seja disponibilizado no mercado”, disse Natália.


Fazedores de moléculas ganham Nobel de Química

Agência FAPESP – O Prêmio Nobel de Química de 2010 foi concedido a dois cientistas japoneses e um norte-americano pelo desenvolvimento das chamadas reações de acoplamento catalisadas por paládio, uma ferramenta fundamental para a síntese orgânica de moléculas complexas, hoje amplamente usadas em áreas tão diversas como a medicina, a agricultura e a eletroeletrônica.

Por estudos iniciados há mais de 40 anos nesse campo, Akira Suzuki (80 anos), professor emérito da Universidade de Hokkaido, Ei-ichi Negishi (75), professor de química da Universidade Purdue, e Richard F. Heck (79), professor emérito da Universidade de Delaware, dividirão o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,5 milhões), concedidos pela Academia Real de Ciências da Suécia.

Prêmio, diplomas e medalhas de ouro serão entregues em cerimônia no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Bernhard Nobel (1833-1896), o inventor da dinamite.

O desenvolvimento da química orgânica tornou possível ao homem “copiar” a química da (mais…)


Brasil testa vacina da dengue

Imunizante promete proteger contra os 4 tipos do vírus. Crianças são prioridade
Uma vacina contra dengue, que está sendo testada por cientistas brasileiros, promete ser mais um recurso para evitar a infecção pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A vacina contra os quatro tipos identificados usa uma tecnologia que combina DNA do vírus da dengue e o do vírus da febre amarela.
O resultado é o que cientistas chamam de um vírus quimérico. Ele é vivo, atenuado, mas não é nem o da febre amarela nem o da dengue. Espera-se que possa oferecer proteção ao estimular o sistema de defesa do organismo a produzir anticorpos contra a doença.
Na terça-feira (22/9), em São Paulo, o laboratório Sanofi Pasteur apresentou detalhes da pesquisa. A vacina foi fabricada usando o mecanismo genético da multiplicação do vírus da febre amarela – mais estável e conhecido do que o da dengue – e um trecho do DNA do vírus da dengue que determina a produção de uma proteína da membrana externa do vírus. Essa proteína não causa a doença, mas serve de alerta para o organismo humano sobre a presença do microorganismo.
- A vacina tetravalente traz quatro sorotipos e conseguiu uma resposta imunológica boa contra todos eles. As demais vacinas apresentaram resposta para dois ou três sorotipos – diz Fernando Noriega, vice-presidente associado de desenvolvimento clínico da Sanofi Pasteur para a América Latina.
Segundo ele, pesquisas revelam que a imunização prévia contra a febre amarela potencializa a resposta da vacina contra a dengue. O esquema é de três doses, aplicadas com intervalos de seis meses. Para quem já tomou a vacina contra a febre amarela, duas doses da tetravalente contra dengue equivalem a três.
- O imunizante é seguro, com efeitos locais e leves, como mal-estar, febre e dor de cabeça, em proporção similar à verificada no grupo de controle, que recebeu placebo ou outra vacina – diz Noriega.
Ainda não se sabe por quanto tempo a vacina será capaz de proteger o organismo:
- Vacinas com o vírus vivo dão proteção por alguns anos e não sabemos a duração do efeito da tetravalente. Vimos que a resposta imunológica cresce a cada vez que a pessoa entra em contato com o vírus selvagem, quando ela é infectada. Portanto, em regiões endêmicas, acredito que terá longa duração.
No Brasil, os testes de fase dois – para avaliar a produção de anticorpos e a segurança do imunizante – começaram no fim de agosto. A pesquisa está sendo realizada em Vitória, no Espírito Santo, pelo Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo e prevê incluir 150 pessoas, entre crianças e adolescentes sadios com idades entre 9 e 16 anos.
- Já recrutamos 50 pessoas. É provável que, até o fim de outubro, tenhamos completado as cem que faltam. O estudo vai durar 18 meses. E não basta que os pais concordem que o filho participe, a criança ou o adolescente recebe esclarecimentos e assina um documento dizendo se concorda. Tudo é avaliado por um comitê internacional de monitoramento e passou pelas normas da Anvisa – explica Reynaldo Dietze, coordenador do estudo em Vitória.
Confiante nos bons resultados dos testes apresentados até agora, o laboratório planeja ampliar a pesquisa no país, incluindo oito mil pessoas em Goiânia, Natal, Fortaleza e Campo Grande.
A inclusão de crianças nos testes foi necessária devido a uma mudança na doença, que a partir de 2007 começou a vitimar mais esse grupo etário. Essa alteração no cenário mundial começou pela Ásia.
- A migração de casos mais graves para as crianças começou em 2007. No início da década de 2000, crianças abaixo de 15 anos nunca representavam mais de 25% dos casos. Depois de 2007, elas passam a ser bem mais de 25% – ressalta o médico João Bosco Siqueira Junior, professor adjunto do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Goiás, que também integra o estudo.
Para Noriega, em função desse cenário, é provável que os países, quando forem determinar que faixas etárias vacinar primeiro, decidam pelas crianças:
- O impacto da imunização pode ser maior se a vacinação for feita antes do pico em que ocorre o maior número de casos graves, ou seja, na infância. Ou nos países em que acontecem mais casos em adultos, que se vacinam na adolescência.
As pesquisas estão mais adiantadas na Tailândia, onde os vírus são mais agressivos. Os resultados do primeiro estudo de eficácia com quatro mil crianças tailandesas de 4 a 11 anos de idade estarão prontos em 2012. O imunizante também vem sendo testado em Estados Unidos, Austrália, México, Porto Rico, Honduras, Colômbia, Peru e em países da Ásia.
Segundo o laboratório, ainda não há uma previsão para a vacina chegar ao mercado.
- Ainda temos alguns anos pela frente para pesquisar e investir antes de a vacina ser aprovada. Estamos trabalhando para que esse produto chegue o mais rapidamente possível à população, mas não será certamente em 2012 ou 2013, por conta dessas exigências e etapas que são necessárias – explica a pediatra Lúcia Bricks, diretora de saúde Pública da Sanofi Pasteur Brasil.
Ainda no Brasil, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, e do Instituto Butantan, em São Paulo, desenvolvem experiências para a produção de vacina contra os quatros sorotipos. Elas já foram testadas em animais. Enquanto uma vacina não chega, a medida mais eficaz continua a ser evitar a proliferação do mosquito.
(Flavia Junqueira) - (O Globo, 22/9)

CMS na Revista Analytica

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A Agela é fabricante especializada em colunas de nano modificação de superfície, manipulação líquida e cromatografia moderna, dentre outras. Instalada na América do Norte, Ásia e Europa, fabrica produtos de alta tecnologia e preço competidor.

Alguns produtos de sua linha são as colunas Venusil e Durashell. A coluna Venusil XBP C18 (2) é um forte exemplo disso, embora haja uma grande variedade de colunas de RP no mercado, cromatógrafos estão ainda a procura de colunas com uma adequação de largura, boa simetria de pico, boa reprodutibilidade e vida longa, e a Agela Venusil C18 XBP (2) foi projetada para atender a essas exigências.

Colunas Agela oferecem tecnologia de ponta

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Seu enchimento é feito de silicone ultrapuro com o processo de desativação da superfície e de colagem especial para reduzir

o teor de carbono, mantendo um alto vínculo converg, evitando a retenção excessiva dos compostos altamente hidrofóbicos. Tem ampla aplicabilidade, o mais forte poder de separação de isômeros e perfeita simetria do pico para compostos ácidos, básicos e neutros. No desenvolvimento do método geral, a Venusil C18 XBP pode ser considerada como a primeira opção entre as colunas de RP. (mais…)


Biossegurança em laboratórios

O imprevisível e diversificado comportamento das doenças infecciosas emergentes e reemergentes tem acarretado a discussão das condições de biossegurança nas instituições de ensino, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e de prestação de serviços. A despeito do avanço tecnológico, o profissional de saúde está frequentemente exposto a riscos biológicos e de produtos químicos, cujo enfrentamento está consubstanciado na adequação das instalações do ambiente de trabalho e na capacitação técnica desses profissionais. O manejo e a avaliação de riscos são fundamentais para a definição de critérios e ações e visam a minimizar os riscos que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos.

A biossegurança constitui uma área de conhecimento relativamente nova, regulada em vários países por um conjunto de leis, procedimentos ou diretrizes específicas. No Brasil, a legislação de biossegurança foi criada em 1995 e, apesar da grande incidência de doenças ocupacionais em profissionais de saúde, engloba apenas a tecnologia de engenharia genética, estabelecendo os requisitos para o manejo de organismos geneticamente modificados.

A segurança dos laboratórios e dos métodos de trabalho trans-cende aos aspectos éticos implícitos nas pesquisas com manipulação genética. Medidas de biossegurança específicas devem ser adotadas por laboratórios e aliadas a um amplo plano de educação baseado nas normas nacionais e internacionais quanto ao transporte, à conservação e à manipulação de (mais…)


Biodiesel – O Futuro próximo

O biocombustível produzido na USP de Ribeirão Preto já está sendo testado em carros, caminhões, tratores, geradores de energia elétrica e locomotivas. O produto, proveniente do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (LADETEL), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLCRP/RP) resulta da reação química entre o álcool de cana e óleos vegetais. O produto também está sendo testado em empresas e instituições de pesquisa, podendo usar plantas oleaginosas brasileiras e óleos já utilizados em frituras.

O coordenador do projeto, professor Miguel Dabdoub, explica que o biodiesel é produzido por intermédio reação de óleos vegetais com um álcool (metanol ou etanol), sempre na presença de um catalisador. “O produto desenvolvido aqui na USP usa o álcool etílico, obtido da cana-de-açucar, no lugar do metanol. O álcool de cana é uma fonte de energia renovável e o Brasil é seu maior produtor mundial, além de dominar a tecnologia de industrialização”, explica. Dabdoub explica que o metanol é de origem fóssil tóxico e o País importa 50% do que consome atualmente.”

O professor conta que o Laboratório reduziu o tempo de produção do biodiesel. “A reação foi realizada em 30 minutos, enquanto o processo tradicional leva seis horas. Com a nova técnica a produtividade aumentou doze vezes”, diz. Em novembro, o LADETEL apresentou uma microunidade produtora de biodiesel etílico na exposição “O biodiesel e a inclusão social”, realizada no Congresso Nacional em Brasília. A microunidade produz 90 litros de biodiesel por hora, com custo em torno de R$ 35 mil. Outra, com valor estimado em R$ 370 mil, que produz biodiesel pelo processo tradicional (usando metanol), e que também foi exposta, obteve 50 litros de combustível por hora usando óleo de babaçu.

Extrativismo
Miguel Dabdoub relata que o LADETEL já utilizou onze variedades de óleos vegetais (soja, amendoim, girassol, algodão, milho, canola, mamona, pequi, macaúba, babaçu e dendê) no biodiesel, além dos óleos de fritura. “Para estimular a economia de regiões pouco desenvolvidas do País, como o Vale do Ribeira e o Pontal do Paranapanema, a macaúba pode ser empregada”, aponta. “No Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o biodiesel poderia ser obtido do pequi. Nas regiões Norte e Nordeste seria feito com óleo de mamona, babaçu, amendoim e dendê.”

Um convênio estabelecido entra a USP, Faculdades Integradas de Diamantina (FAFEID) e uma fazenda do Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais) tem o objetivo de desenvolver a coleta extrativista de pequi. “Inicialmente, foram plantados 1.000 hectares de árvores”, afirma o professor. “De cada hectare plantado podem ser obtidos até 3.200 litros de óleo de pequi, enquanto a soja rende cerca de 400 litros de óleo por hectare”, aponta. O LADETEL também pesquisa a reutilização do óleo usado em frituras, utilizando material dos restaurantes da USP e das lanchonetes da rede Mc Donalds.

Veículos
O Laboratório também fechou acordo com empresas privadas, entidades e instituições de pesquisa para testar desempenho, consumo e potência do biodiesel feito com álcool de cana. O combustível foi testado nas misturas B20 (mistura de 20% de biodiesel e 80% de diesel), B30 (30% de biodiesel) e B100 (100% de biodiesel) em tratores e veículos de passeio, como no caso dos automóveis cedidos pelas montadoras francesas PSA Peugeot-Citroën. “Também fazemos ensaios com motores cedidos pelas montadoras na Escola de Engenharia da USP de São Carlos (EESC), medindo rendimento, consumo, potência e emissões, além de testes em três bancadas dinamométricas”, explica Miguel Dabdoub. “Os mesmos ensaios são feitos de forma paralela na sede da PSA Peugeot-Citroën, na França.”

Experiências com locomotivas estão sendo executadas pela América Latina Logística (ALL), concessionária ferroviária que atua no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Argentina. “Inicialmente, foram realizados, com sucesso, testes laboratoriais para medir consumo, potência e emissões”, afirma Dabdoub. A segunda fase envolverá o uso do combustível na forma de B25 (25% de biodiesel e 75% de diesel) em locomotivas. “Dependendo dos resultados, a ALL avaliará a possibilidade de usar biodiesel em toda a frota”, aponta o professor.

Fonte: Agência USP de Notícias

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